O logo do The Developens Conference. Uma imagem que faz referencia a um cubo mágico colorido na diagonal

Trilha Acessibilidade

Acessibilidade como Compliance e a
Abordagem Equivocada nas Empresas
O logo do The Developens Conference. Uma imagem que faz referencia a um cubo mágico colorido na diagonal

Trilha Acessibilidade

Clécio Bachini

Clécio com sua filha Isabel nos ombros
Eu e minha filha Isabel

Clécio Bachini

Cientista de Computação
Desenvolvedor Web desde 1997
Empresário escapando das garras da falência desde 1999

#PraCegoVer Branco, cabelo castanho, barba grande e feia, óculos já pela hora de trocar

Músico Cartola de óculos escuros, pensativo.
Músico Cartola de óculos escuros, pensativo.

Verdadeiro título da palestra

Rir para não Chorar

Hoje falaremos sobre

Compliance versus Empatia

Compliance

É o conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e regulamentares, as políticas e as diretrizes estabelecidas para o negócio e para as atividades da instituição ou empresa, bem como evitar, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer.

O termo compliance tem origem no verbo em inglês to comply, que significa agir de acordo com uma regra, uma instrução interna, um comando ou um pedido.

Empatia

Capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de compreender do modo como ela compreende etc.

Na Psicologia: processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro.

Na Sociologia: forma de cognição do eu social mediante três aptidões: para se ver do ponto de vista de outrem, para ver os outros do ponto de vista de outrem ou para ver os outros do ponto de vista deles mesmos.

Vamos olhar as leis?

Lei Brasileira de Inclusão

CAPÍTULO II - DO ACESSO À INFORMAÇÃO E À COMUNICAÇÃO

Art. 63. É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente.

§ 1° Os sítios devem conter símbolo de acessibilidade em destaque.

DECRETO Nº 6.949, DE 25 DE AGOSTO DE 2009.

Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007

g) Promover o acesso de pessoas com deficiência a novos sistemas e tecnologias da informação e comunicação, inclusive à Internet;

h) Promover, desde a fase inicial, a concepção, o desenvolvimento, a produção e a disseminação de sistemas e tecnologias de informação e comunicação, a fim de que esses sistemas e tecnologias se tornem acessíveis a custo mínimo.

eMAG - Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico.

As recomendações do eMAG permitem que a implementação da acessibilidade digital seja conduzida de forma padronizada, de fácil implementação, coerente com as necessidades brasileiras e em conformidade com os padrões internacionais. É importante ressaltar que o eMAG trata de uma versão especializada do documento internacional WCAG (Web Content Accessibility Guidelines: Recomendações de Acessibilidade para Conteúdo Web) voltado para o governo brasileiro, porém o eMAG não exclui qualquer boa prática de acessibilidade do WCAG.

Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG)

As Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) 2.0 abrangem diversas recomendações com a finalidade de tornar o conteúdo da Web mais acessível. Seguir estas diretrizes irá tornar o conteúdo acessível a um maior número de pessoas com deficiência, incluindo cegueira e baixa visão, surdez e baixa audição, dificuldades de aprendizagem, limitações cognitivas, limitações de movimentos, incapacidade de fala, fotossensibilidade e combinações destas características. Seu conteúdo da Web também ficará mais acessível aos usuários em geral ao seguir estas diretrizes.

WCAG igual a Empatia

Mas o que as empresas tem entendido como acessibilidade digital?

Clécio
						Reunião sobre acessibilidade. Ouvi uma montanha de besteira.
						Leonardo Alberto Souza
						cliente?
						Clécio
						Potencial cliente: o cara disse que o WCAG não é parâmetro pra acessibilidade.
						O cara tá todo senhor de si. Vai colocar uma barra de inversão de cores e botão de aumento de fonte.
						Leonardo Alberto Souza
						oh god
						e ai? como lidar?
						Clécio
						Eu to com vontade de vender bolo.
Conversa com meu amigo Léo Beto Souza, transcrição no texto alternativo.
Clécio:
						Então será que vai ser isso? Vão colocar um remendo que na verdade não ajuda as pessoas só para ser um tampão jurídico?
						Reinaldo Ferraz:
						Na minha opinião, o tampão jurídico poderia ser uma página avisando quando foi feita a ultima verificação de acessibilidade, que está em conformidade com W3C e que se encontrar problemas ao navegar, que reportem pelo canal adequado.
						O resto é codigo bem escrito
						Clécio:
						O cara disse que o W3C não é nada.
						Que o WCAG não atende a legislação.
						Como argumentar contra isso?
						Fiquei com vontade de largar a carreira. Ir vender bolo.
						Reinaldo Ferraz:
						ele tem duas opções: eMag e WCAG. A primeira é um resumo da segunda. Fora isso, não sei do que ele está falando
Conversa com o mestre Reinaldo Ferraz, transcrição no texto alternativo.
Bolo de bufá com erva doce ao lado de flores, sobre uma mesa.
É que eu faço um bolo bem bom. Quem já foi na firma sabe.

Mas o que é uma barra de acessibilidade?

Meme de Tony Stark virando os olhos ao ouvir falar da barra de acessibilidade.
Meme de Tony Stark virando os olhos ao ouvir falar da barra de acessibilidade.

Barra de Acessibilidade é o objeto digital místico que torna os sites inacessíveis instantâneamente acessíveis. Menos para as pessoas com deficiência.

Barra de acessilidade de um site com botões de contrates de aumento de texto.

Fui irônico na frase acima. Atualmente, uma barra como esta não tem função nenhuma na promoção da inclusão das pessoas com deficiência, pois suas funções assistivas já se encontram por padrão nos navegadores e sistemas operacionais.

Só por curiosidade, fiz um teste de contraste de cores do texto com o fundo da barra. É claro que falhou na maioria dos quesitos.

Ferramenta de teste de contraste de cores mostrando erro.
Leonardo:
						Posso querer me matar?
						Advinha a demanda que chegou pra mim agora?
						Clécio:
						Diz diz!
						Leonardo Alberto Souza:
						Colocar uma barra de acessibilidade
						Com +A e -A
						Mudar contraste e tal
						É um botão de imprimir
						Clécio:
						Ah vá!
						HAHAHA
						Copiei essa conversa para promover minha palestra!
Meu amigo Léo Beto me procura para compartilhar seu sofrimento. Transcrição no texto alternativo.

Mas porque uma barra de acesssiblidade não resolve o problema?

Porque um projeto para acessibilidade envolve arquitetura de informação e design de interação, como qualquer outro projeto de usabilidade com foco na experiência do usuário.

Mas por que as empresas tomam esse caminho? Por que elas gastam dinheiro com uma adaptação que não melhora a expeciência dos seus clientes?

Infelizmente, a resposta é Compliance

As empresas estão buscando primeiramente uma solução com abordagem jurídica, que seja uma demonstração de boa vontade com a "causa".

E por que a Barra de Acessibilidade e outras soluções paliativas são as respostas mais comuns?

Porque as corporações estão se espelhando em soluções governamentais, que seguem o eMAG (Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico)

O eMAG é uma excelente iniciativa. Tanto que foi modernizado para seguir as diretrizes do WCAG (Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web)

As recomendações do eMAG permitem que a implementação da acessibilidade digital seja conduzida de forma padronizada, de fácil implementação, coerente com as necessidades brasileiras e em conformidade com os padrões internacionais. É importante ressaltar que o eMAG trata de uma versão especializada do documento internacional WCAG (Web Content Accessibility Guidelines: Recomendações de Acessibilidade para Conteúdo Web) voltado para o governo brasileiro, porém o eMAG não exclui qualquer boa prática de acessibilidade do WCAG.

Ou seja, todos os caminhos de Compliance apontam para o WCAG

Mas uma abordagem punitiva aos sites que não seguem as boas práticas de acessiblidade digital é a saída?

NÃO

Uma abordagem agressiva e policial só fortalece profissionais que buscam espalhar o pânico para vender soluções paliativas que não favorecem a inclusão das pessoas com deficiência.

Então, qual o melhor caminho para a política de acessibilidade digital na minha empresa?

Que acessibilidade digital seja tratada como um processo natural que faz parte da etapa de usabilidade de qualquer projeto.

Qual a abordagem adequada?
Quais passos seguir?

1

Todos os projetos novos devem seguir as boas práticas de acessibilidade e as Diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão.

2

Sempre que possível, os projetos legados devem ser adaptados para seguir as boas práticas de acessibilidade e as Diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão.

3

Caso não seja possível uma abordagem de adaptação, os projetos legados devem ter suas interfaces substituídas por novas soluções que sigam as boas práticas de acessibliade e as Diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão.

Mas a melhor abordagem para acessibilidade é a

Empatia

A equipe de conteúdo faz melhores descrições com

Empatia

A equipe técnica faz melhores códigos com

Empatia

Ou seja, não existe acessibilidade de verdade sem

Empatia

Assim, para acessibilidade

Complience é Empatia

Não adianta cumprir as leis e normas

Sem acolher as pessoas

Obrigado!

Clécio com sua filha Isabel nos ombros
Eu e minha filha Isabel

Clécio Bachini

Twitter: @cbachini

E-mail: cbachini@gmail.com